Conheçassão e Valores paraar a História
Nossa História
Texto: Professor Paulo Dantas – Diretor do MIS Teresina
O Museu da Imagem e do Som de Teresina é dedicado à preservação e exibição de registros audiovisuais e fotográficos, promovendo e colaborando com a cultura brasileira, em especial na cidade de Teresina, servindo como ferramenta de difusão artística em suas múltiplas linguagens e de salvaguarda da memória.
Construído nos anos vinte do século XIX, o prédio sede do MIS — Museu da Imagem e do Som de Teresina faz parte do patrimônio arquitetônico-histórico localizado no centro de Teresina, capital do estado do Piauí, mais precisamente, no cruzamento das ruas Barroso com Eliseu Martins (rua climatizada). Ao ser inaugurado, tornou-se Banco do Brasil por muitos anos, até passar a ser sede da Câmara Municipal de Teresina. Em 2008, com a mudança da Câmara para um novo local, o prédio fechou as portas. Com isso, o edifício que dispunha de dois pavimentos e, aos fundos, de um estacionamento, passou por um processo de esquecimento, vandalismo e precarização de sua estrutura.
Com o tempo e o prolongamento do processo de abandono, um grupo/coletivo de artistas intitulado “Salve Rainha” começou um processo de ocupação artística e passou a realizar frequentemente festas e encontros, movimentando o centro da cidade. O grupo “Salve Rainha”, liderado pelo produtor Francisco das Chagas Júnior, tinha como premissa ocupar, em forma de protesto e resistência, espaços sem uso ou esquecidos, a fim de que o poder público viabilizasse reformas e/ou melhorias. Dessa maneira, partindo do ensejo social, o então prefeito Firmino Filho autorizou uma grande reforma, que viria a transformar-se no MIS — Museu da Imagem e do Som.
Após completar seu centenário e quase dez anos de construção com idas e vindas de suas obras, o espaço foi inaugurado em 20 de dezembro de 2024, na gestão de José Pessoa Leal, com o nome de Museu da Imagem e do Som de Teresina e Pinacoteca Torquato Neto. O projeto assinado pelo arquiteto e músico Júlio Medeiros ganhou um anexo de cinco pavimentos dispostos do térreo ao quarto andar. Contando com galerias, diversas salas administrativas, auditório com 96 lugares e rooftop com vista panorâmica da cidade.
No entanto, embora tenha sido inaugurado enquanto obra, ainda faltava muito para de fato ser considerado um museu. Dispunha de salas, espaços, movelaria, mas dependia de atos administrativos burocráticos e de composição de acervo, tendo em vista que o único acervo de que dispunha até então era a exposição sobre o poeta Torquato Neto, homenageado que intitulou o espaço. Pontua-se que esta exposição é fruto de um contrato de cessão de utilização e salvaguarda de dez anos.
Outro ponto a ser colocado é o fato de que o museu foi inaugurado sob tutela da SEMPLAN – Secretaria Municipal de Planejamento, o que poderia impedir ou burocratizar o uso do espaço enquanto aparelho cultural. Nesta feita, conforme novas diretrizes que se deram na atual gestão do prefeito Silvio Mendes, após reuniões de alinhamento no período compreendido entre janeiro e abril, o espaço passa administrativamente para o organograma da FMC – Fundação Cultural Monsenhor Chaves, que, além de gerenciar o equipamento cultural, passa a ocupar o terceiro andar e utilizá-lo como nova sede, em conformidade com o decreto Nº 4.046 – 04 de julho de 2025, publicado no DOM – Diário Oficial do Município de Teresina. Desse modo, poder-se-ia objetivamente reduzir custos da pasta e otimizar o uso dos recursos para o novo ambiente cultural.
Em maio de 2025, a FMC inicia o processo de mudança para a nova sede e começa a organizar a abertura do espaço para a população. A convite da cúpula da gestão da FMC que tem à frente o maestro Aurélio Melo, o superintendente Abiel Bomfim, a chefe de gabinete Clarissa Parente e o gerente de Promoção Cultural Júlio César de Oliveira, fui convidado para assumir a direção do MIS. Convite aceito, era hora de colocar a mão na massa, ou melhor, no acervo. Mas qual acervo?
Primeiro desafio: conseguir um acervo.
O poder público adquiriu muita “coisa” ao longo dos anos e de inúmeras gestões, porém, muitas se perderam. Dessa maneira, fomos à luta e em busca do que temos, mas não sabiamos onde estava. E olha, posso dizer o quão difícil é esse processo.
Começamos a busca ativa do que tínhamos, ao tempo que alinhavamos a abertura do espaço para a população. Sendo assim, dia 16 de agosto de 2025, aniversário de 173 anos de Teresina, tivemos o MIS de fato para todos. Um evento que contou com a organização coletiva de poder público e sociedade civil. A abertura contou com diversas atividades que reuniram vários artistas. Evento de cinema, organizado e conduzido pelo Núcleo Chagas Jr., com oficinas de formação, debates e exibições de filmes durante o dia inteiro. Além do passeio cultural e oficina de cajuína enquanto patrimônio cultural, no turno da manhã, propostos pelo CHTHE (Centro Histórico de Teresina).
Lembram lá atrás, quando foi mencionado aquele grupo de artistas que havia instigado a reforma e que tinha um líder chamado Francisco das Chagas Jr.? Pois bem, ele, embora não esteja mais entre nós, pois faleceu precocemente exatamente dez anos antes da inauguração. Deixou sua colaboração. Por isso, merecidamente nomeamos uma das galerias em sua homenagem. Não é favor, é justiça!
Mas por que trazer tudo isso? Porque precisamos contar aos que estão por vir! Grande Abraço!


